sábado, 8 de janeiro de 2011

Zen


Um samurai, conhecido por todos pela sua nobreza e honestidade,
veio visitar um monge Zen em busca de conselhos.
Entretanto, assim que entrou no templo onde o mestre rezava,
sentiu-se inferior,
e concluiu que, apesar de toda a sua vida lutando por justiça e paz, não tinha sequer chegado perto ao estado de graça do homem que tinha à sua frente.
- Por que estou me sentindo tão inferior?
- perguntou, assim que o monge acabou de rezar.
- Já enfrentei a morte muitas vezes,
defendi os mais fracos,
sei que não tenho nada do que me envergonhar.
Entretanto, ao vê-lo meditando, senti que minha vida não tinha a menor importância.
- Espere. Assim que eu tiver atendido todos que me procurarem
hoje, eu lhe darei a resposta.
Durante o dia inteiro o samurai ficou sentado no jardim do templo,
olhando as pessoas entrarem e saírem em busca de conselhos.
Viu como o monge atendia a todos com a mesma paciência e o mesmo sorriso luminoso em seu rosto.
Mas o seu estado de ânimo ficava cada vez pior,
pois tinha nascido para agir, não para esperar.
De noite, quando todos já haviam partido, ele insistiu:
- Agora o senhor pode me ensinar?
O mestre pediu que entrasse,
e conduziu-o até o seu quarto.
A lua cheia brilhava no céu,
e todo o ambiente inspirava uma profunda tranqüilidade.
- Está vendo esta lua, como é linda?
Ela vai cruzar todo o firmamento,
e amanhã o sol tornará de novo a brilhar.
Só que a luz do sol é muito mais forte,
e consegue mostrar os detalhes da paisagem que temos à nossa frente:
arvores,
montanhas,
nuvens.
Tenho contemplado os dois durante anos,
e nunca escutei a lua dizendo:
por que não tenho o mesmo brilho do sol?
Será que sou inferior a ele?
- Claro que não
- respondeu o samurai.
- Lua e sol são coisas diferentes,
e cada um tem sua própria beleza.
Não podemos comparar os dois.
- Então, você sabe a resposta.
Somos duas pessoas diferentes ...



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